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	<title>Casos em Psiquiatria Forense &#187; F31 &#8211; transtorno bipolar do humor</title>
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	<description>Psiquiatria e Psicologia Forense - casos clínicos</description>
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		<title>A ESSÊNCIA DO LADRÃO</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Aug 2011 19:26:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando César</dc:creator>
				<category><![CDATA[artigo 155 - furto]]></category>
		<category><![CDATA[F31 - transtorno bipolar do humor]]></category>

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		<description><![CDATA[Tânia possui transtorno bipolar do humor. O diagnóstico foi fácil: trouxe alguns laudos (já esteve até internada) e, na própria entrevista, estava levemente exaltada, falando um pouco alto, com o pensamento um pouco confuso, às vezes rindo fora de hora. É acusada de desvio de dinheiro de um banco, no qual trabalhava. &#8220;Mas não foi [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div align="justify">Tânia possui transtorno bipolar do humor. O diagnóstico foi fácil: trouxe alguns laudos (já esteve até internada) e, na própria entrevista, estava levemente exaltada, falando um pouco alto, com o pensamento um pouco confuso, às vezes rindo fora de hora.</p>
<p>É acusada de desvio de dinheiro de um banco, no qual trabalhava. &#8220;Mas não foi nem 2 mil reais!&#8221;, ela me repetiria umas três vezes. Não sei se para me convencer que não era um crime assim tão importante ou se o eco era um sintoma da hipomania (o nome técnico deste humor exaltado). </p>
<p>O réu frequentemente pensa que o psiquiatra, de alguma forma, é o juiz. Assim, tentam convencê-lo a inocentá-lo, diminuir sua pena. &#8220;Mas não foi nem 2 mil reais!&#8221; Mesmo se tivessem sido 10 mil ou 100 mil, minhas conclusões, neste caso, seriam as mesmas.</p>
<p>A primeira, como dito, é que ela tinha um transtorno na época do fato. </p>
<p>Porém, o transtorno bipolar, na verdade, é tripolar: há uma fase depressiva, uma fase maníaca (exaltada) e uma fase neutra, sadia. O furto seria mais provável na fase maníaca que na depressiva. Na depressiva, seria mais esperado que a paciente desse seu dinheiro a alguém, pensando que iria morrer logo, ou algo assim.</p>
<p>A parte da entrevista que mais gosto é o momento de colher a versão do fato com o réu. É esta hora a minha chance de realmente entrar em contato com um criminoso, entrar em sua mente, entender o que leva o indivíduo a cruzar a linha. O pensamento de Tânia era confuso, mas, ao descrever o fato, surpreendeu-me: lembrava-se de detalhes (o crime ocorreu há vários anos &#8211; ah, a Justiça brasileira&#8230;), narrou a sequência de eventos com exatidão.</p>
<p>Isto é um indício extremamente forte de que, na época dos fatos, não estava maníaca, e sim eutímica (humor normal), pois, se estivesse maníaca, dificilmente se lembraria dos acontecimentos com exatidão.</p>
<p>E mais: Tânia conseguiu racionalizar todo o ocorrido. Foi um furto consciente. &#8220;Vi que minha colega tava pegando. Resolvi pegar também, um pouquinho. Não foi nem 2 mil reais!&#8221;</p>
<p>- Me explique melhor&#8230; Você sabia que era crime, que podia acontecer algo errado&#8230;</p>
<p>Ainda faltava uma pecinha, para eu entender o que levou aquela jovem mulher a se tornar uma ladra. Ou uma ladrazinha (não foram nem 2 mil reais!)&#8230;</p>
<p>- Eu tinha um caso com o gerente. Achei que, se alguém percebesse, eu tava coberta&#8230;</p>
<p>Bingo! </p>
<p>Eutímica. Entendimento do caráter ilícito dos fatos preservado, assim como a capacidade de determinar-se de acordo com este entendimento. </p>
<p>Em resumo: fez porque quis.</p>
<p>(Porém, estando doente agora, necessita tratamento, e não cadeia.)
</p></div>
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