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	<title>Casos em Psiquiatria Forense &#187; F65.4 &#8211; pedofilia</title>
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	<description>Psiquiatria e Psicologia Forense - casos clínicos</description>
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		<title>OLHOS NO OLHO</title>
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		<pubDate>Wed, 13 Jul 2011 02:11:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando César</dc:creator>
				<category><![CDATA[artigo 217-A - estupro de vulnerável]]></category>
		<category><![CDATA[F65.4 - pedofilia]]></category>

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		<description><![CDATA[Na capa de cada processo, além do nome do réu, uma etiqueta informa o crime o qual é acusado. Se é furto ou roubo, o psiquiatra não sabe o que esperar na perícia: pode se deparar desde com um dependente de drogas até com um esquizofrênico. O mesmo se o crime é homicídio, estupro etc. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div align="justify">Na capa de cada processo, além do nome do réu, uma etiqueta informa o crime o qual é acusado. Se é furto ou roubo, o psiquiatra não sabe o que esperar na perícia: pode se deparar desde com um dependente de drogas até com um esquizofrênico. O mesmo se o crime é homicídio, estupro etc. </p>
<p>Porém, quando a acusação é de estupro de vulnerável (praticar sexo com alguém com menos de catorze anos), uma única hipótese diagnóstica pisca reluzente na mente do psiquiatra: pedofilia, pedofilia, pedofilia.</p>
<p>O senhor Robério, com quase 60 anos, estuprou repetidamente a neta de sua mulher, uma garotinha de oito anos, segundo a acusação.  </p>
<p>A palava estupro para casos como este é um pouco inadequada, porque transmite a ideia de violência física, o que não houve, segundo o depoimento da garota. Não que o consentimento da vítima torne o ato bonito, mas abuso talvez fosse um termo mais afinado com o crime. </p>
<p>A imprensa, por sua vez, gosta de chamar este crime de pedofilia. Pedofilia, em Psiquiatria, é o desejo preferencial por sexo com crianças. Mas não existe um crime com este nome. Logo, em termos técnicos, pedofilia não é crime. É apenas um transtorno mental. </p>
<p>Mas não entremos nesta discussão, por ora. O que interessa é que Robério nega tudo. </p>
<p>Peço ao policial que deixe a sala de perícias por um momento. Às vezes isto ajuda. </p>
<p>- Você nem mesmo a alisou, deu um beijo?<br />
- Coloquei no colo e beijei como beijo qualquer criança&#8230;</p>
<p>Robério possui um leve estrabismo divergente (um olho aponta para fora) e, não fosse suficiente, também tem nistagmo, um tremor nos olhos. Conversar olhos nos olhos é importante quando se busca a verdade. No caso de Robério, parecia que seria bem difícil encontrá-la, se ele realmente houvesse abusado da garota.</p>
<p>- Por que te acusaram, então?<br />
- Um médico me contou que outro médico deu dois piques na pererequinha dela, pra parecer que fui eu. </p>
<p>Aí quem arregala os olhos sou eu. Que história é esta?!</p>
<p>- E queriam te incriminar por quê?<br />
- Não sei. A menina depois disse que lá no Conselho Tutelar ameaçaram bater nela se ela não falasse que fui eu.</p>
<p>Tento firmar meus olhos no olho esquerdo do senhor Robério, o olho dele que olha para mim. Pergunto-me se ele tem esperanças de que alguém acredite nesta teoria da conspiração. </p>
<p>A verdade é um risco para o criminoso. Negando a acusação, torna mais difícil um diagnóstico e tem reduzidas suas chances de se beneficiar de uma diminuição da pena, caso venha a ser condenado. Confessando, aumenta as chances da redução de pena, mas também aumenta as chances de ser condenado. </p>
<p>Teoria dos jogos aplicada. É melhor garantir cinco anos de pena ou arriscar um dez-ou-nada? Aparentemente, o senhor Robério apostou na segunda hipótese. </p>
<p>Eu, intimamente, aposto todas as fichas que ele cometeu os abusos. Mas fiquei sem evidência nenhuma, no exame, para caracterizá-lo como pedófilo. Solicitei um psicodiagnóstico. Um casal de psicólogos o avaliaria por três dias. De quatro olhos demorados sobre o seu olho esquerdo a verdade não deveria escapar.
</p></div>
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