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OS DELINQUENTES DE LONDRES
Posted by Fernando César in artigo 157 - roubo, Crimes, outros on August 20, 2011
Tudo começou quando a polícia matou um traficante. Um protesto em frente à delegacia cresceu, a polícia ficou quieta para não piorar a situação e, frente a inércia policial, os manifestantes começaram atos de vandalismo. Logo a juventude londrina em peso se empolgou e a confusão tomou conta da cidade. Logo se alastraria para outras localidades da Inglaterra.
Os românticos vêem nisto apenas uma rebelião contra o sistema. Um articulista brasileiro chegou a dizer que isto é democracia – obviamente, não estaria tão exultante se a casa dele tivesse sido incendiada, se a loja de sua família tivesse sido saqueada.
Os reacionários vêem apenas delinquentes, bandidos. Que protesto social é este onde o principal objetivo é roubar um Ipod, um tênis Nike? Onde a quebradeira era marcada através do Blackberry como se fosse uma festa?
No meu modo de ver, os dois lados estão meio-certos. E meio-errados, obviamente. Há insatisfação com a desigualdade? Claro, como em qualquer lugar. Mas, bem, convenhamos que a Inglaterra não é, digamos, a Somália. Há, portanto, uma generosa dose de malandragem no protesto.
A Justiça ficou do lado dos conservadores, e tem sido muito rápida em condenar os jovens.
Quatro anos de prisão é demais para um jovem de 18 anos que só roubou um tênis, suplicam seus pais. Não, não é muito. Nem pouco. A lei apenas foi cumprida. E o exemplo precisa ser dado. É o que pensa o juiz.
Penso um pouco diferente. À medida que vou ficando mais velho, mais vejo os jovens como absolutamente imperfeitos. E acredito que quando realmente estiver velho olharei para trás e pensarei a respeito de mim: como eu era bobo e inocente em 2011, no alto dos meus 34 anos… Assim, acredito que as penas deveriam ser proporcionais à idade. A legislação atua de modo maniqueísta: ou você tem 17 anos e 11 meses e pode tudo, ou tem 18 anos e 1 mês e não pode mais nada. O desenvolvimento psicológico não se dá desta maneira, ninguém se torna sábio e responsável de um dia para outro. A lei, portanto, não está pareada com a realidade. Um jovem de 17 anos já deveria ser capaz de responder quase tanto quanto um de 18. Mas de um jovem de 18 anos não se deveria esperar a mesma responsabilidade de um senhor de 38, 48 ou 58 anos.
Mas o ponto mais importante, neste caso dos conflitos em Londres, do ponto de vista da Psicologia e da Psiquiatria Forense, é outro. Os saques não foram a ação somada de vários bandidos. Foram praticados por pessoas que, até então, não tinham ficha criminal, que até então eram honestos. A psicologia de massas explica o acontecido. Alguns jovens realmente com tendências delinquentes começam os furtos e os outros apenas vão junto. Assim, não se trata de criminosos comuns a maioria destes jovens presos.
Estas atenuantes psicológicas não estão sendo consideradas, em Londres. Talvez os psicólogos e psiquiatras de lá tiveram seus consultórios queimados também.
PS: deveríamos parar de usar o termo vandalismo. É injusto com a memória dos vândalos, povo germânico que vivia de fora do Império Romano. Todos os que estavam de fora do Império eram chamados bárbaros, outro termo inadequado atualmente. Os vândalos eram destruidores? Sim, mas nenhum império nunca foi construído apenas com diplomacia e rosas. Muito menos o Romano.