O padrão que furtava era da casa de sua mãe, isto é, da própria casa. Comentou o policial que o acompanhava à perícia: “Roubar da mãe não é crime, mas o padrão pertence à companhia de energia…”
Mais um crime bobo gerando um processo volumoso.
Rodrigo mora em uma cidade pequena e, nestas cidades, geralmente não se tem acesso a drogas. Involuntariamente, o dependente preso nestas cadeias acaba sendo submetido a uma espécie de tratamento contra a dependência. É obrigado a conviver com sua abstinência, suportá-la e superá-la. Seria uma grande oportunidade de abandonar as drogas. Porém, não é um tratamento voluntário e o preso não encara o processo como uma oportunidade. Ao sair, volta a conviver com os amigos usuários e o consumo dos entorpecentes se restabelece. Rodrigo mesmo diz que não pensa em parar de usar o crack: “Talvez quando eu arrumar uma mulher…” Desde que ela não seja usuária, não é?
A entrevista com Rodrigo segue relativamente bem. Não notei sinais de grandes sequelas mentais por conta do uso do crack. Porém, o policial que com ele convive me disse que Rodrigo “tem hora que não diz coisa com coisa. Agora mesmo tava falando que quer matar gente gorda.”
Lembrei-me imediatamente do último livro de Jô Soares, As Esganadas, onde o personagem principal é um serial killer de gordas.
Vamos lá, então, investigar esta ponta desfiada pelo policial… Que história é esta, Rodrigo?
“Não, não é isso… É o seguinte. Tem o vagabundo que rouba, né? E tem o vagabundo que fica pedindo, pedindo comida. Só que tem uns que pedem comida o tempo inteiro! O cara ganhou comida em uma casa, vai e pede na outra. Fica comendo o dia inteiro. Pode reparar que só tem dois tipos de mendigos: os magros, noiadão, e os gordos. Esses gordos são muito safados, porque o cara já ganhou comida! É como se tivesse roubando comida do outro, entende? Porque aí vai o outro magro na casa pedir comida e não ganha, porque o cara fala: ‘Ah, já dei comida hoje!’ Aí fica o cara passando fome por conta desses mendigos gordos safados!”
Faz sentido!
“Pode reparar, não tem mendigo médio, ou é magrinho ou é gordo.”
Isto nunca reparei, mas prestarei atenção a partir de agora, Rodrigo.
Que há ética no crime, não é novidade. Os filósofos deveriam se debruçar mais sobre ela, mas aparentemente, quando querem definir a essência do humano, se esquecem que loucos e criminosos também fazem parte da raça. Ou não?
Pergunto:
- E você pretende matar os mendigos gordos?
“Não é pretender… É só vontade, entende?”
Compreendo, mas não entendo. Me entendem?
#1 by Dyego Alexandre on January 18, 2012 - 2:58 pm
Intrigante Dr.
#2 by Helder Lucena on January 18, 2012 - 3:09 pm
É só vontade Dr., pois, …’o neurótico quer ser perverso’… Ou você não quer?
Abço
#3 by sem calcinha on February 27, 2012 - 8:57 pm
Adoro me mostrar peladinha na web cam
#4 by Laécio on April 21, 2012 - 12:58 am
Tenho um irmão adotivo,de 20 anos,q adoro armas,já teve 2 surtos psicóticos,toma remedios ,psicotropicos e lendo sobre seriais killes aqui no site tem muita coisa em comum entre os casos e o comportamento desse meu irmão adotivo, tem como vc me ajudar e o q eu posso fazer pra me prevenir desse perigo q mora comigo….?